Na última semana, as tecnologias desenvolvidas pela Mobile Saúde foram destaque na coluna de saúde da revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Abaixo você confere a matéria na íntegra, que conta com entrevista do nosso CPO e sócio-fundador Jean Schulz.

Antes mesmo da pandemia, o setor de saúde já era um terreno fértil para startups e soluções inovadoras. Não é por acaso que o número de healthtechs dobrou nos últimos dois anos, chegando a 542. A Mobile Saúde nasceu em 2011, antes mesmo que esse mercado ganhasse um nome. Suas soluções hoje digitalizam serviços de 100 operadoras de planos de saúde, chegando a 7,5 milhões de pessoas.

O termo healthtech ainda não estava em uso quando a empresa foi criada. Seus fundadores, Jean Schulz e Geraldo Félix, desenvolviam sistemas de gestão para esse setor como funcionários de uma grande empresa de software. Decidiram investir em um projeto próprio, menos focado nas empresas e mais direcionado aos beneficiários.

 

Em 2011, lançaram um buscador de médicos e clínicas e saúde – na prática, uma versão digitalizada dos tradicionais guias impressos. “Isso era raro naquela época. Ouvimos que o serviço não ia pegar, até pela quantidade de idosos nos planos de saúde”, diz Jean Schulz. O projeto acabou dando retorno, motivando os dois a lançar outros serviços.

O objetivo era digitalizar cada vez mais a experiência dos beneficiários de planos de saúde. Para fortalecer o negócio, eles também convidaram outros dois sócios: o administrador Paulo Auriemma e o médico João Paulo dos Reis Neto. Cada um dos quatro investiu entre R$ 20 mil e R$ 40 mil na fase inicial da empresa.

A Mobile Saúde hoje oferece soluções como plataformas e aplicativos white label para cerca de 100 empresas, incluindo nomes como Fiat Chrysler Automobiles (FCA), Unimed, DoctorClin e Clinipam, do Grupo NotreDame Intermédica. Por meio delas, os beneficiários podem desde acessar a carteirinha virtual até consultar o resultado de exames.

 

Agora, as teleconsultas são outra possibilidade. O serviço estava sendo desenvolvido até o ano passado, mas voltou para a gaveta depois que a resolução que liberava a telemedicina foi revogada. Com a liberação emergencial devido à pandemia, os sócios retomaram o projeto e lançaram o serviço em abril. Desde então, 70 mil consultas foram realizadas à distância.

A demanda das operadoras por digitalização cresceu no período, resultando em um aumento de 150% no número de projetos. Alguns vêm de novos clientes. Outros, daqueles que ainda não tinham investido fortemente nessa frente. O comportamento dos beneficiários também mostra um maior interesse: o uso das plataformas dobrou em comparação com o ano passado.

O volume total dos pedidos virtuais de reembolso por consultas e exames, por exemplo, passou de R$ 24 milhões para R$ 39 milhões no mesmo período “A telemedicina é só uma das nossas perspectivas. As consultas presenciais continuarão a ser agendadas digitalmente, e os resultados de exames serão vistos e enviados ao médico por aplicativo”, diz Schulz.

 

Direcionando cerca de metade da receita a inovações e tecnologia, ele estima ter investido cerca de R$ 12 milhões na empresa nos últimos nove anos. O empreendedor não releva o faturamento, mas diz que ele hoje está na casa dos sete dígitos anuais. Apesar do aumento na demanda, o negócio não teve dobrar de tamanho este ano, como vinha ocorrendo.

“Entendemos que tínhamos a função de fortalecer o ecossistema, então fizemos campanhas de isenção de taxa e seguramos reajustes”, diz o fundador. “Nosso setor também depende muito da empregabilidade. No ano que vem, quando a economia aquecer, esperamos faturar acima dos R$ 10 milhões.”

 

Matéria original de revistapegn.globo.com